O futuro da logística

A logística, assim como qualquer outro setor, está sofrendo os efeitos da disrupção do mercado pela introdução da tecnologia digital. Quando falamos de disrupção nos referimos às inovações tecnológicas, cuja maioria tem uma base digital, capazes de alterar a forma como a sociedade e o mercado se comportavam até o momento em que referida tecnologia foi criada.


Nesse sentido, uma série de inovações tem apontado algumas tendências no mercado logístico e já tem alterado a forma pela qual o setor se comporta. Logicamente, nem todas vão prosperar e mesmo as inovações recentes que parecem promissoras podem demorar mais tempo para maturarem. A consultoria Gartner inclusive demonstra isso por meio do seu gráfico denominado Gartner Hype Cycle (o “ciclo da modinha”):





Por meio do gráfico é possível identificar como o mercado tende a se comportar em virtude do momento e estágio de maturação da tecnologia que se pretende analisar. Trata-se de uma ferramenta importante na análise de tendências e nos estudos de análise de futuros realizados por futuristas.


Um fenômeno muito claro que já passou a afetar muitos mercados, inclusive o logístico, é o unbundling. Trata-se da desagregação, desmembramento dos serviços. Em outra época, a maioria dos serviços era prestada por um único tipo de fornecedor que concentrava muita força de mercado. Agora, na medida em que se torna mais fácil entrar no mercado e otimizar os serviços por meio do uso de tecnologia, o setor logístico passa a ser modificado por essa tendência de desmembramento. Isso faz com que agentes de mercado consolidados passem a sofrer pressão de preços, nível de serviços e também concorram com muitos outros agentes com os quais não concorriam antes. 


Ao mesmo tempo, o unbundling pode ser uma oportunidade para identificar a necessidade de transformação digital do seu negócio. A roteirização dinâmica, por meio da qual os transportadores podem identificar as melhores rotas para entrega de produtos de acordo com informações em tempo real; o uso de ferramentas de telemetria para aumento de eficiência na direção dos veículos; a utilização das plataformas TMS (transportation management systems) para gestão das frotas e rotas logísticas; o uso de dados para identificar possibilidades ou criar subprodutos no mercado logístico já são todos realidade no mercado atual. Inclusive, já são produtos e serviços bastante difundidos.


No entanto, podemos ir além. Dentro do segmento logístico podemos destacar algumas tendências que já estão no mercado e que provavelmente devem impactar o setor nos próximos anos e algumas promessas para os anos seguintes:


Veículos Autonômos, LIDAR e platooning


Os caminhões autônomos já estão sendo testados há algum tempo, mas ainda não são utilizados para realizar os fretes tendo em vista os problemas relativos à indústria. Isso também não deve acontecer tão cedo.


A Starsky Robotics, por exemplo, aprendeu ao longo dos testes que há problemas relativos à mecânica do caminhão, necessidade de manutenção, dentre outros. Soma-se a isso as questões de responsabilidade civil caso haja qualquer problema como um atropelamento e a dificuldade de obtenção de escala da tecnologia, já que a possibilidade de testes é muito limitada e há um custo alto envolvido. 


Assim, até que os caminhões autônomos de fato ameacem o setor, já terá ocorrido uma queda do salário dos caminhoneiros e provavelmente muitos já terão se aposentado, já que essa entrada desses veículos no mercado não deve acontecer de forma significante dentro dos próximos anos.


Apesar disso, alguns já testam e apostam no platooning (formação em que os caminhões autônomos andam em comboio). A ideia com essa funcionalidade é que os caminhões sejam mais eficientes no uso de combustível já que o primeiro caminhão quebraria a resistência do vento, enquanto os demais aproveitam o vácuo.


Como estão sendo realizados muitos testes de veículos autônomos, muitas empresas começam a se organizar em torno da tecnologia LIDAR (Light Detection and Ranging). Trata-se de uma tecnologia ótica de detecção remota que mede propriedades da luz refletida de modo a obter a distância e/ou outra informação a respeito de um determinado objeto distante. Devido a alta precisão e o preço relativamente baixo, começa a ser uma das tecnologias atraentes para muitos que desejam investir na área.


Drones


Os drones, apesar de bastante difundidos para fins recreacionais, ainda estão limitados pela regulação quando o assunto é logística urbana. Além disso, também há uma questão relativa à autonomia do aparelho, o peso dos produtos e o alcance do sinal. Por fim, o aparelho ainda deve ser capaz de desviar dos obstáculos aéreos. Dessa maneira, ainda há diversos avanços a serem considerados para que esse modal possa ser utilizado de forma eficiente no mercado.


Blockchain


A blockchain já passa a ser utilizada como uma forma de certificar a origem e procedência dos produtos. Após alguns anos em que a tecnologia esteve na mídia principalmente por conta do bitcoin, ela passa a ser utilizada para outras finalidades. Apesar disso, encontra algumas barreiras na quantidade limitada de pessoas capazes de criar esse tipo de sistema e na dificuldade do entendimento das pessoas de negócios sobre o funcionamento da tecnologia.


Last mile


Os consumidores desejam cada vez mais ter a possibilidade de rastreamento das entregas, poder avaliar o serviço, dentre outras funcionalidades que hoje dificilmente são disponibilizadas pelo sistema adotado pelo mercado. Assim, diversas empresas estão tornando suas lojas em centros de distribuição e buscando otimizar as rotas e a interação do cliente com o serviço de logística. Apesar disso, existem dificuldades pois muitos dos parceiros logísticos que prestam esses serviços ainda não adotaram as tecnologias necessárias para que esse serviço de um nível mais elevado seja ofertado ao cliente final.


Hortas verticais em centros urbanos


A transformação de outros setores econômicos também pode impactar o segmento logístico. O surgimento do e-commerce e dos aplicativos do tipo on-demand (UBER, Loggi, iFood e Rappi) impactaram e impulsionaram o segmento.


No entanto, outras inovações podem alterar como a logística é feita atualmente. O surgimento das hortas ou fazendas verticais faz com que o transporte rodoviário de hortaliças já não seja necessário, caso essa mudança na produção de alimentos realmente venha a se consolidar como tendência.


Impressora 3D


Embora ainda não seja muito popular e seja pouco utilizada para a solução de problemas logísticos, a impressora 3D é capaz de reduzir a necessidade de transporte de alguns produtos. Se pegarmos produtos como um sapato da marca Melissa (que é composto por uma espécie de polímero), seria possível apenas imprimir o sapato na casa do próprio consumidor, em uma loja ou em qualquer outro local com uma impressora 3D, desde que o cliente pudesse imprimir o molde disponibilizado pela marca. Dessa maneira, custos logísticos poderiam ser eliminados.


Nuvem e on-demand


Tecnologias como a computação em nuvem aliadas a um serviço on-demand também são capazes de eliminar custos logísticos. A Gelato Group, na Noruega, criou uma plataforma global para impressão de materiais gráficos por meio da qual empresas globais podem imprimir seus materiais em qualquer lugar do mundo evitando parte da logística do produto final. 


Dados e Logística preditiva


Diversas empresas, dentre elas a Amazon, estão trabalhando para prever a demanda por meio de ferramentas analíticas e preditivas baseadas em algoritmos. Uma vez prevista a demanda, essas empresas seriam capazes de se antecipar e já disponibilizar produtos dentro do estoque a determinado perfil de cliente, abrir centros de distribuição ou lojas para atender à necessidade de consumo local, dentre outras possibilidades decorrentes da predição de demanda.

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